domingo, 21 de dezembro de 2014

Óleo 2T


Aos 7 anos, nos idos de 1962, ganhei minha primeira bicicleta (uma Biancchi - Falcon aro 22, vermelho vinho). aprendi a andar sozinho, na tarde em que foi entregue. No dia seguinte, comecei a fuçar nas ferramentas de papai para desmontar as partes amassadas, na tentiva de consertar e gostei dela depenada, sem garupeira, para-lamas e freios.
"Torava" um par de tênis por semana, até descobrir que o Bamba aguentava mais freadas, sem cheirar a borracha queimada.
Lá pelos 14, numa  ida ao cinema, vi um cara tirar 2 motos do deposito  de um prédio por onde eu passava. Parei para olhar e o cara me perguntou se quisesse  andar ele estava alugando. Sentei na moto, uma Yamaha RD 50 (como esta da foto), em poucos minutos ensaiava minhas primeiras trocas de marcha, ali no estacionamento do prédio mesmo.
Nem preciso dizer que o dinheiro do cinema e do sorvete ficou na mão do cara da moto.
Cheguei em casa mais cedo, cheirando a óleo queimado. Fiquei viciado, mas o cara só alugava no sábado. Mesmo assim, torrava toda a minha mesada. Quando acabou, emprestei da de meu irmão mais novo, que curtia juntar dinheiro.

Yamaha RD 50, 1969

Logo, convenci-o a comprar uma moto, com suas economias, já que a s minhas tinham sido comidas pelos alugueis de motos.
Era uma Yamaha DT 250 (era como na foto abaixo), laranja metálica, linda.
Em casa não havia garagem, nós a desmontávamos na varanda, para "mexer" no motor e tentar aumentar o desempenho. Coisa fácil e barata numa 2t. Aumentei o tempo de aspiração, ampliando a janela da saia do cilindro com uma lima e aumentando o diâmetro do giclê de alimentação do carburador, que custava uns 2 paus, preço de um maço de cigarro.
A casa toda ficava cheirando a gasolina queimada com óleo de motor 2 tempos, quando testávamos a aceleração da moto no cavalete. Só isso já me dava um monte de adrenalina!
Numa época em que curtíamos andar por Brasília sem capacete e sem carteira, só uns óculos Ray Ban para proteger a cara...


Yamaha DT 250, 1970

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