| Área de teste do Detran, em Brasília |
As falhas na habilitação de motociclistas são ainda mais graves do que na de motoristas.
Durante as 35 "aulas" que fiz, poucas vezes não vi alguém cair com as motos. Em geral nas suas primeiras aulas. Raras vezes vi algum instrutor acompanhar os iniciantes ao longo do percurso. Muito menos, comentar as dificuldades de seus alunos e propor exercícios simples como controle de embreagem, evitar olhar para o chão, entre outros.
Percurso este que me lembrou um que fizemos na Escola-Parque 313/314 Sul, em Brasília, para as crianças brincarem, na Semana do Transito, nos anos 90. Nos últimos dez anos nem ouvimos falar disso nas escolas. Apesar da presença obrigatória nos currículos, os recursos (cartilhas, apostilhas, jogos) jamais chegam às escolas.
As habilidades treinadas para o teste:
1. colocar capacete e baixar a viseira;
2. ligar a moto;
3. sair em primeira marcha, sem acelerar;
4. contornar via em forma de oito;
5. contornar cones;
6. passar sobre brita;
7. passar sobre sonorizadores;
8. freiar na faixa de pare;
9. contornar circulo;
10. passar sobre duas ondulações.
11. não colocar os pés no chão com a moto em movimento.
Sem dúvida alguma que são importantes para aprendizes iniciantes.
Absurdo é elevar habilidades iniciais ao nível de habilidades suficientes para a habilitação pelo Detran.
Considerando os riscos envolvidos na condução de motocicletas em situações reais do transito cotidiano, é o mesmo que dar um atestado de incapacidade ou, pior, um atestado de óbito adiantado.
As estatísticas de mortos e incapacitados em acidentes, por ano, são de aterrorizar. Até porque nem o aumento brutal no valor das multas por violação das leis de transito não diminuiu estas violações (SIC!).
Burrhus Frederic Skinner, psicólogo comportamentalista, afirmava, baseado em suas experimentações e observações de comportamentos animais, que a aprendizagem duradoura esta sempre ligada à recompensa e nunca à punição. A punição gera comportamentos de fuga e esquiva. Assim, apenas se aprende a evitar a própria punição.
Parece que as estatísticas divulgadas confirmam as teorias de Skinner, que de burro não tinha nada.
Ao contrario dos responsáveis pelo Detran, que acreditam fervorosamente que as multas, ou punições, por si só são capazes de mudar os comportamentos no transito. Ou seja, aplica uma dose mais forte do mesmo remédio, acreditando que o resultado seja maior.
Isso eles conseguiram: aumentar os números de acidentes.
Proponho uma mudança. Que as multas sejam aplicadas também aos responsáveis do Detran, por vias esburacadas, mal sinalizadas e mal conservadas. As multas mais altas deveriam ser aplicadas aos que liberam a circulação em estradas subdimensionadas para o transito nelas previsto.
Quanto maior o numero de acidentes em determinada via, maiores as multas indiciam sobre os responsáveis por ela.
Não acho que isso resolveria, mas me sentiria vingado por estes administradores de araque, que adoram cagar regras para o outros cumprirem.
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